09 março, 2010

AS PIRÂMIDES - PARTE I



INTRODUÇÃO


Em egípcio a palavra pirâmide era grafada pi-mar. Existe ainda um termo geométrico – per-em-us – usado em um tratado matemático egípcio para indicar a altura de uma pirâmide. Entretanto, foram os gregos que chamaram tais monumentos de pyramis (plural pyramides), o que resultou na palavra “pirâmide” em português. Ao que tudo indica a palavra grega não deriva de nenhum vocábulo egípcio, mas trata-se apenas do nome que os gregos davam a uma espécie de doce feito com farinha de trigo. Acreditam os estudiosos que os antigos gregos associaram humoristicamente as pirâmides a essa guloseima, provavelmente porque quando vistos à distância os monumentos lhes pareciam enormes bolos. Alguns autores dizem que o nome grego significa “medida do fogo” (do grego “pyra” que quer dizer fogo, luz, símbolo e “midos” que significa “medidas”).

A construção de pirâmides constitui uma originalidade da arquitetura funerária e religiosa de vários povos da antiguidade. Essas imensas edificações assentadas sobre bases retangulares e com quatro paredes externas que convergem para formar um ápice são encontradas principalmente no Egito, mas também no Sudão, Etiópia, Ásia Oriental e entre os povos pré-colombianos da América, como também na Floresta Amazônica e nas profundezas dos oceanos!

A Grande Pirâmide de Gizeh foi erguida na cidade de Gizeh, uma necrópole da antiga Mênfis, que hoje é parte da Grande Cairo. A Grande Pirâmide manteve-se como a mais alta estrutura feita pelo homem até a construção da Torre Eiffel (Paris) -, em 1889, cerca de 4.500 anos depois da construção da pirâmide.

Todas as pirâmides do Egito (e conta-se hoje algo em torno de 80 pirâmides, 30 das quais ainda existem) foram construídas na margem oeste do Rio Nilo, na direção do sol poente. Os egípcios acreditavam que, enterrando seu rei numa pirâmide, ele se elevaria e se juntaria ao sol, tomando o seu lugar de direito com os deuses.

Como todas as pirâmides, cada uma faz parte de um importante complexo que compreende um templo, uma rampa, um templo funerário e as pirâmides menores das rainhas, todas cercado de túmulos (mastabas) dos sacerdotes e pessoas do governo, uma autêntica cidade para os mortos. As valas aos pés das pirâmides continham botes desmontados: parte integral da vida no Nilo sendo considerados fundamentais na vida após a morte, porque os egípcios acreditavam que o defunto rei navegaria pelo céu junto ao venerado Rei Sol.

Apesar das complicadas medidas de segurança, como sistemas de bloqueio com pedregulhos e grades de granito, todas as pirâmides do Antigo Império foram profanadas e roubadas possivelmente antes de 2.000 a.C. Na verdade, todos os reis do Egito foram vítimas de ladrões de túmulos, exceto um, chamado Tutankâmon ou Rei Tut Ankh Âmon. Os tesouros de ouro da tumba de Tutankâmon foram descobertos em 1922 e continuam a impressionar o mundo, ainda hoje. Tutankâmon não foi um rei de grande poder e morreu jovem, então podemos apenas imaginar os fantásticos tesouros que um regente poderoso como Kufu (Kéops) deveria ter enterrado na sua câmara…

Durante o período de aproximadamente um milênio (entre 2630 e 1640 a.C.) os egípcios construíram suas famosas pirâmides, dentre as quais três delas assombram o mundo até hoje. A mais antiga que se conhece data da IIIa dinastia e era constituída por mastabas sobrepostas formando degraus. O idealizador deste tipo de construção foi o sábio Imhotep, proeminente figura do reinado do faraó Djoser. Essa é provavelmente a única pirâmide desse tipo que foi concluída.
Imhotep, arquiteto do faraó Djoser. Ao lado a pirâmide escalonada.


No início da IVa dinastia as pirâmides começaram a ser construídas com suas paredes inclinadas e não mais em forma de degraus. O período áureo da construção das pirâmides estendeu-se entre a IIIa e a VIa dinastias (de 2630 a 2150 a.C.). Nessa época quase todos os faraós e muitas de suas rainhas foram enterrados em túmulos com a forma de pirâmides. A maior parte das pirâmides dessa época áurea foi construída na orla do deserto a oeste do Nilo, nas proximidades de Mênfis, entre a localidade de Meidum ao sul e a de Abu Rawash ao norte. Em dinastias posteriores tais monumentos também foram construídos, sendo que as últimas datam da XIIa dinastia, mas perderam muito de seu esplendor arquitetônico e até de seu significado religioso.

A egiptologia tradicional afirma que as pirâmides, a despeito das diversas teorias existentes, nada mais eram do que túmulos dos faraós. Os argumentos apresentados são o fato de todas elas conterem (ou apresentarem sinais de que continham) sarcófagos e estarem situadas na margem oeste do Nilo, onde tradicionalmente os egípcios enterravam seus mortos. Além disso, eram edificadas em grupos e faziam parte de um amplo cemitério que incluía templos mortuários e túmulos de membros da família real, de cortesãos, de numerosos sacerdotes e oficiais.

Os estudos arqueológicos sugerem que todas as pirâmides, escalonadas ou não, eram representações monumentais símbolos do monte primevo, que emergiu das águas do caos quando o mundo foi criado. Acreditava-se que naquele monte Atum, o deus da criação, havia se manifestado pela primeira vez e criado o universo. Quando colocado sobre a sepultura ou incorporado à tumba, imaginava-se que pudesse servir como uma potente fonte de magia pela qual o morto poderia esperar receber a renovação da existência. Pela lógica egípcia, um modelo incorporava as propriedades mágicas atribuídas ao objeto que representava. Assim sendo, através da pirâmide o rei estaria habilitado a subir aos céus e a retornar ao túmulo quando desejasse, para usufruir das oferendas deixadas por seus familiares e pelos sacerdotes.

Mas há também quem diga que o simbolismo foi mudando e, em conseqüência, o formato dos túmulos foi sendo alterado. Assim, embora as mastabas talvez representassem realmente o monte primevo, já a pirâmide de degraus de Djoser teria outro significado. Os textos das pirâmides sugerem que uma das diferentes maneiras pelas quais o rei morto poderia atingir os céus seria por meio de uma escada. Uma de tais inscrições afirma:

Uma escada para o céu foi colocada para ele [i.e. o rei], de forma a que ele pudesse subir aos céus através dela.

Parece, assim, que as pirâmides verdadeiras poderiam ser – na ótica egípcia – uma representação material dos raios do Sol e, conseqüentemente, um meio pelo qual o rei morto pudesse subir aos céus. Elas teriam, portanto, um propósito prático, bem de acordo com a praticidade inerente ao espírito do povo egípcio. Aqui, como no caso das pirâmides escalonadas, o que estava por trás de tudo era a idéia de que modelos representavam objetos reais. E um modelo, quer fosse a estátua de pedra de uma pessoa ou uma cena esculpida em relevo, era considerado possuidor de todas as virtudes do objeto real que representava. O tamanho não era um fator de importância primordial para a eficácia do substituto e essa pode ter sido uma das razões para o rápido declínio das dimensões das pirâmides após os tempos de Kéops e Kéfren.

Os próprios arqueólogos reconhecem que em muitos casos – cerca de 50% deles – as pirâmides egípcias não se destinavam a servir de sepultura. Prova disso é o fato de terem sido encontrados sarcófagos vazios em túmulos e pirâmides cujos selos estavam intactos, o que demonstrava que os ladrões de sepulturas ainda não haviam lá estado. Assim, uma das explicações alternativas é a de que as pirâmides serviram como marco de uma cerimônia de morte e ressurreição simbólica dos reis. Sabe-se que no Egito pré-histórico os reis não podiam reinar por mais de 30 anos. Ao final desse período eram mortos com todo o seu séqüito e um rei mais jovem assumia o seu lugar. Antes da Ia dinastia, porém, os egípcios já haviam substituído esse costume por cerimônias e sacrifícios que tinham o dom de renovar a juventude do faraó e estender o seu reinado por mais 30 anos.

Tais cerimônias eram conhecidas como Heb-Sed (Festas do Sed) e sua prática perdurou até o final da história do antigo Egito. as quais se prolongavam por vários dias. Acredita-se que elas eram realizadas duas vezes, já que o rei era, ao mesmo tempo, monarca do Alto e do Baixo Egito. Isso explicaria a existência dos túmulos vazios e a multiplicidade das sepulturas de um mesmo rei.

Qual era a finalidade das pirâmides e, principalmente, como foram construídas, são duas das mais intrigantes perguntas de toda a história da humanidade e que, talvez, nunca venham a ser respondidas ou, por outro lado, talvez venham a ter centenas de respostas conflitantes, conforme o ponto de vista de cada um de nós. Aqui vamos falar sinteticamente de todas as pirâmides e dos vários aspectos que as envolvem, inclusive os místicos, mas as conclusões deixamos que você mesmo as tire.

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