09 março, 2010

AS PIRÂMIDES - PARTE III




AS TRÊS PIRÂMIDES DE GIZEH


Existe um provérbio árabe que faz a seguinte referência as Pirâmides: “O Homem teme o Tempo, e ainda o tempo teme as Pirâmides“.



As três pirâmides da planície de Gizeh (ou Guiza, nome mais próximo do original – Gizeh é um galicismo) foram construídas durante a Quarta dinastia (2.631-2.494 a.C.), e são os maiores monumentos do mundo erguidos por homens, elas ocupam a primeira posição na lista das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Do outro lado do rio Nilo e a apenas 23 km da atual cidade do Cairo, encontramos a Grande Pirâmide (com cerca de 147 m de altura – cerca de 49 andares), construída pelo faraó Kufu (Quéops), a segunda maior por seu irmão Quefrén e a terceira por Menkaure (Miquerinos), filho de Quéops. Estas informações foram dadas pelo historiador grego Heródoto, que as conseguiu cerca de 2.000 anos depois de sua construção.



Cada uma faz parte de um importante complexo que compreende um templo, uma rampa, um templo funerário e as pirâmides menores das rainhas, tudo cercado de túmulos (mastabas) dos sacerdotes e pessoas do governo, uma autêntica cidade para os mortos.
Foram encontradas valas aos pés das pirâmides, as quis continham botes desmontados: parte integral da vida no Nilo sendo considerados fundamentais na vida após a morte, porque os egípcios acreditavam que o defunto rei navegaria pelo céu junto ao venerado Rei Sol.

Apesar das complicadas medidas de segurança, como sistemas de bloqueio com pedregulhos e grades de granito, todas as pirâmides do Antigo Império foram profanadas e roubadas possivelmente antes de 2000 a.C.


MÉTODOS DE CONSTRUÇÃO


Desde a época da Grécia Antiga, as técnicas de construção das pirâmides têm sido objeto de amplas discussões. Poucos textos egípcios originais sobreviveram ao tempo e o nosso conhecimento sobre os métodos empregados naquela época deriva em grande parte de descobertas arqueológicas.

Escavações encontraram inúmeras gravuras dos egípcios usando suas ferramentas primitivas, bem como restos destas ferramentas. Todavia, existem muitas idéias diferentes sobre o modo de construção.

O primeiro relato da construção das pirâmides, neste caso da Grande Pirâmide de Gizeh, foi feito pelo historiador grego Heródoto (484?-425 a.C.) – chamado “pai da história”. Segundo Heródoto, esta pirâmide teria levado 20 anos para ser construída, por 100.000 escravos, com o uso de máquinas mecânicas; dizia que eles usaram “guindastes” de madeira (fundamentando-se no princípio das alavancas), em conformidade com a técnica que os egípcios antigos usavam para levantar obeliscos de centenas de toneladas. Hoje em dia, acredita-se que boa parte do relato de Heródoto seja impreciso, até porque ele visitou o Egito mais de 20 séculos depois da construção daquela pirâmide.


As pirâmides eram, em sua maior parte, construídas de blocos de calcário retirados de pedreiras a vários quilômetros de distância. Uma vez cortados, os blocos eram transportados em trenós puxados por animais, em cima de “pistas” cobertas com barro para diminuir o atrito.

E como os blocos eram posicionados na estrutura da pirâmide? Heródoto acreditava que dispositivos mecânicos (alavancas, roldanas, etc) eram usados para levantar os blocos em conjunto com andaimes de madeira. Mais tarde, outro estudioso grego, Diodorus Siculus, sugeriu que grandes rampas teriam sido utilizadas, ao longo dos quais os blocos seriam puxados. Muito provavelmente, os pesados blocos eram colocados sobre trenós de madeira e arrastados sobre uma longa rampa. Enquanto a pirâmide ficava mais alta, a rampa ficava mais longa, para manter o nível de inclinação igual.


Atualmente, acredita-se que combinações dos dois métodos tenham sido utilizadas, variando de acordo com a pirâmide em questão. Sabe-se que as rampas realmente eram empregadas, já que restos destas estruturas (em alguns casos, até rampas completas) foram encontradas em vários locais. Vestígios de rampas foram descobertos junto à pirâmide de Meidum. Os indícios encontrados mostram também que diferentes estilos de rampas eram usados, de acordo com a necessidade (a rampa poderia ser reta ou envolvia a pirâmide, como uma escada em espiral). Vários estilos, lineares e espirais, foram propostos por diferentes estudiosos. Os dispositivos propostos por Hérodoto poderiam ser usados apenas no deslocamento de peças menores e não dos blocos principais.
 
 
Dois sistemas de rampas
 
 
Ao contrário do que muitos pensam, sabe-se hoje que as pirâmides não foram construídas por escravos. É improvável que os egípcios tivessem escravos naquela época, pois sua sociedade era basicamente composta por camponeses. Estima-se que aproximadamente 5.000 trabalhadores especializados trabalhavam ao longo do ano, apoiados por mais 20.000 trabalhadores temporários que trabalhavam apenas alguns meses por ano. Muitos desses eram provavelmente agricultores que ficavam ociosos durante três meses do ano em função das cheias do rio Nilo. Alguns registros mostram que as pessoas que trabalharam nas pirâmides foram pagas com uma bebida que é a origem da nossa cerveja. O empenho que demonstravam na construção das pirâmides pode ser explicado pelo fato de que acreditavam que o faraó era um deus e ajudar a construir o seu túmulo era, antes de tudo, uma honra.


Além dos camponeses que executavam um trabalho puramente braçal, havia muito mais pessoas com habilidades específicas envolvidas no empreendimento. A enorme demanda de pedras exigia especialistas na tarefa de extraí-las, os quais trabalhavam em turmas. Eles pintavam nas pedras, com ocre vermelho, o nome de suas turmas. Turma da Pirâmide de Degraus, Turma Vigorosa, Turma do Norte, Turma do Sul e Turma do Cetro, por exemplo, são alguns dos nomes encontrados nas pedras de revestimento da pirâmide de Meidum. Na Grande Pirâmide pode-se ler em um dos blocos: Turma dos Artesãos. Quão poderosa é a Coroa Branca de Khnum Khufu!. Embora a maioria da força-tarefa envolvida com o deslocamento das pedras só entrasse em ação quando não havia o que fazer nos campos, os demais operários estavam permanentemente dedicados ao seu trabalho, seja nas pedreiras, seja no monumento em si. A oeste da pirâmide de Kéfren foram desenterrados alojamentos para 4000 homens, cifra que talvez represente o número total de operários permanentes, e as ferramentas lá encontradas sugerem que se destinavam a abrigar os trabalhadores das pirâmides.


A atividade de exploração das pedreiras era intensa, tendo em vista a enorme quantidade de material necessário para erguer monumentos tão grandes. Entretanto, os antigos egípcios dispunham de pouca coisa além de serras e cinzéis de cobre primitivos para realizar o trabalho. Ainda que primitivas, as ferramentas encontradas por arqueólogos, e datadas de tempos tão antigos quanto a Ia dinastia, mostraram-se capazes de cortar qualquer tipo de pedra calcária. Seja como for, eles devem ter desenvolvido técnicas especiais para extração dos blocos. A pedra calcária de qualidade inferior e mais maleável podia ser manuseada facilmente a céu aberto, pois encontra-se na superfície. Por outro lado, na obtenção do granito e do calcário de excelente qualidade de Tura era necessário construir túneis. Provavelmente a aplicação de calor e água facilitava o trabalho. Cunhas de madeira – informa o egiptólogo James Putnam – eram enfiadas em fendas na pedra e então ensopadas de água, fazendo com que se expandissem e rachassem a pedra. Os blocos eram então esquadrejados com o emprego de cinzéis e malhos. Serras de cobre também eram usadas, talvez com lascas de pedras preciosas para ajudar no talhe. Para trabalhar o granito tinham que golpeá-lo com esferas de uma pedra ainda mais dura chamada dolerito.


Um dos maiores desafios era, sem dúvida, o transporte dos enormes blocos. As pedras do revestimento da Grande Pirâmide pesam, em média, duas toneladas e meia cada uma, e algumas delas chegam a pesar 15 toneladas, mas as lajes de granito do teto da câmara mortuária da Grande Pirâmide pesam 50 toneladas e, se você ainda acha que é pouco, saiba que algumas das pedras mais pesadas encontradas no templo mortuário de Miquerinos pesam cerca de 200 toneladas! E não podemos esquecer que mesmo as “menores” dessa lista tinham que ser transportadas das pedreiras pelo rio Nilo, embarcadas e desembarcadas de balsas e elevadas a alturas consideráveis com relação ao solo. Navegar com esses megálitos exigia um perfeito controle de enormes e pesadíssimas balsas lotadas, em um rio de correnteza rápida e com bancos de areia em alguns trechos, sem dúvida uma operação arriscada que requeria grande habilidade. No transporte por terra provavelmente usavam o mesmo método, qualquer que fosse o tamanho da pedra: o arraste. Apenas a quantidade de homens variava conforme o peso a deslocar.
 
 
 
SEGUÊNCIA DO TRABALHO DE CONSTRUÇÃO
 
 
Encontrado o local, removia-se a grossa camada superficial de areia e cascalho, para que o monumento assentasse sobre um firme alicerce rochoso. Começava então o nivelamento e alisamento da rocha. A precisão com que se realizava tal trabalho é demonstrada pela Grande Pirâmide, na qual o perímetro da base tem um pequeno desvio de pouco mais de meia polegada com relação ao que seria um nivelamento absoluto. O emprego de canais na irrigação dos campos, desde muito antes da era das pirâmides, ensinou a gerações de egípcios as técnicas de nivelamento. Para nivelar uma área como a base de uma pirâmide – esclarece o egiptólogo I. E. S. Edwards – deve ter sido necessário rodeá-la pelos quatro lados com montículos baixos de lodo do Nilo, preencher o fosso assim formado com água e cortar uma rede de regos na rocha, de tal maneira que o piso de cada sulco ficasse a uma mesma profundidade com relação à superfície da água; os espaços intermediários podiam, então, ser nivelados após a água ter sido liberada. Em outras palavras: enchia-se de água uma rede de sulcos escavados na rocha em toda a extensão das fundações e marcava-se na pedra as linhas da superfície da água; secavam-se os sulcos; talhavam-se as pedras que excedessem o nível marcado e enchia-se os espaços vazios com pedras. Na prática efetiva – esclarece ainda I. E. S. Edwards – a área total coberta pela pirâmide não era sempre reduzida ao mesmo nível do perímetro; como mostra a Grande Pirâmide, um monte de rocha podia ser deixado no centro para ser usado em estágio posterior do trabalho de construção.

A última das preliminares consistia em fazer uma acurada medição para que a base da pirâmide formasse um quadrado perfeito e cada um de seus lados estivesse orientado para um dos quatro pontos cardeais. A unidade de medida era o cúbito real, equivalente a cerca de 52 centímetros. Cordas de medição – prossegue I. E. S. Edwards – eram feitas com fibras de palmeira ou de linho, sendo que ambas certamente se esticavam quando usadas; portanto, é altamente surpreendente que possa haver uma diferença de apenas 20 centímetros entre os comprimentos dos lados maior e menor da Grande Pirâmide – na realidade, parece notável que em lados que excedem 22.860 centímetros de extensão possa ter ocorrido um erro tão pequeno, especialmente quando nos lembramos de que o monte central de rocha teria tornado impraticável qualquer medição da diagonal para verificar a precisão do quadrado.

A orientação exata das pirâmides com relação aos pontos cardeais só pode ter sido obtida com a ajuda de um ou mais dos corpos celestes, uma vez que a bússola era desconhecida dos antigos egípcios. Não foi possível determinar com exatidão quantos ou quais dos corpos celestes eram empregados nesse processo, mas é lógico que bastava estabelecer a orientação de um dos lados, já que a dos demais se fixava naturalmente com o uso de um esquadro. Outras construções da mesma época, cujos cantos formam ângulos retos perfeitos, demonstram que esse último instrumental existia.

Ao mesmo tempo em que os trabalhos preparatórios ocorriam no local do monumento, os alicerces da calçada iam sendo assentados. Já que cada pirâmide dispunha de uma calçada que a ligava ao Nilo, a qual se destinava à passagem do cortejo fúnebre, esse era também um caminho conveniente para que nele se arrastasse uma espécie de trenó contendo os enormes blocos de pedra e, portanto, a base da calçada deveria estar concluída antes da edificação da pirâmide.

As calçadas eram caminhos pavimentados e ladeados por muros altos e espessos, de tijolos ou pedras, às vezes cobertos com lajes de pedra, que ligavam o templo do vale ao templo situado junto à pirâmide principal. Em alguns casos as paredes internas desses corredores estavam decoradas com cenas esculpidas em baixo relevo e podia haver, também, estátuas do faraó postadas a intervalos regulares em nichos existentes nestas mesmas paredes.

Do muro que, com certeza, rodeava a pirâmide de Kéops, nada restou. Resta apenas parte do pavimento em pedra calcária que preenchia o espaço entre a pirâmide e o muro.

Uma vez preparado o local e transportadas as pedras para junto dele, restava o trabalho da construção propriamente dita. E as tarefas não eram simples: havia que elevar os blocos a alturas consideráveis e assentá-los de maneira a criar um interior coeso e uma parte externa de forma regular.



Os pessadíssimos blocos, alguns pesando cerca de 50 toneladas, usados para revestir as câmaras e corredores internos são de granito e foram extraídos das pedreiras de Assuã, localizadas a 800 quilômetros de distância.

Estruturas auxiliares, à guisa de andaimes, feitas de tijolos, colocadas em locais não cobertos pelas rampas, permitiriam manobrar mais facilmente as pedras usadas no revestimento. Também era necessário que as pedras fossem transformadas em blocos e recebessem acabamento de outros tantos mestres e, finalmente, homens hábeis na arte da construção acentavam os blocos com precisão. A maioria dos blocos que formavam a parte interna das pirâmides tinha pouco acabamento, mas as pedras do revestimento eram talhadas com grande precisão e ajustam-se tão perfeitamente umas às outras que as junções são quase invisíveis.
 
 

Todo o polimento deve ter sido dado depois que as pedras foram colocadas em seus lugares definitivos. Nas proximidades da pirâmide de Kéops foram encontrados enormes depósitos de lascas de pedra calcária provenientes do trabalho executado com os blocos. Estimou-se que a pedra acumulada em tais depósitos equivale em volume a mais da metade do volume das pirâmides. Outro fator que causa grande admiração é o espaço de 5mm dado para permitir a colocação de uma cola para selar e manter as pedras unidas, essa cola era uma espécie de cimento branco que não permitia a entrada de água. E nos dias atuais se encontra intacto, e é tão ou mais resistente que as pedras que as une.


Com o acréscimo de cada carreira sucessiva de alvenaria, a rampa podia ser elevada e também estendida, de molde a que o gradiente se mantivesse inalterado. Finalmente, quando a parede tivesse sido erguida até a sua altura total, a rampa podia ser desmontada e as faces externas das pedras, que não haviam sido polidas previamente, podiam ser revestidas camada por camada, de cima para baixo, à medida em que o nível da rampa era reduzido.

Convém lembrar que um pequeníssimo erro no ângulo de inclinação de uma pirâmide resultaria num desalinhamento considerável das arestas do vértice.

O último passo consistia em aplicar o revestimento final com a pedra calcária de qualidade superior extraída em Tura. Tratava-se de uma operação bastante delicada, pois dela dependia todo o aspecto externo do monumento e a manutenção da sua forma piramidal.

Por fim, uma pedra triangular, geralmente de granito, era assentada no ápice da pirâmide. Para fixá-la com firmeza, esculpia-se no centro de sua base uma protuberância em forma de disco que se ajustava num encaixe preparado para recebê-la, localizado no centro da última camada de alvenaria do monumento. O mesmo método empregado para assentar as demais pedras deve ter sido usado para ajustar esta última. Embora exista um texto que se refira a uma de tais pedras como revestida de ouro, a mais valiosa encontrada até hoje é feita de granito cinza e pertencia à pirâmide de Amenemhet III, localizada em Dahshur. Suas quatro faces estão esculpidas com invocações dirigidas ao deus-Sol e a três outras divindades.

Terminada a construção do monumento, iniciava-se o polimento de suas quatro faces, iniciando-se pela pedra triangular do topo. À medida em que o trabalho prosseguia, a rampa e as estruturas auxiliares iam sendo desmontadas e a pirâmide começava a surgir em todo o seu esplendor.

Finalmente, os construtores dedicavam-se à edificação do templo mortuário, do templo do vale e da calçada que os unia, sendo que alguns deles talvez já tivessem tido seus alicerces assentados antes que a construção da pirâmide fosse iniciada.

Após o sepultamento do faraó sua pirâmide era lacrada para sempre. Ao comum dos mortais era proibido entrar no recinto que circundava o monumento, bem como na parte mais íntima do templo funerário. Só os sacerdotes responsáveis pelos ritos estavam autorizados a penetrar ali.

É comum encontrar-se ao lado das principais pirâmides, uma ou mais pirâmides menores chamadas subsidiárias ou secundárias. Supõem os arqueólogos que algumas se destinavam ao sepultamento das rainhas. Outras, entretanto, provavelmente não teriam tal finalidade, mas sim visavam sepultar as vísceras dos faraós, as quais eram retiradas dos corpos durante o processo de mumificação e guardadas nos vasos canopos. Na maioria dos casos o complexo piramidal era formado por uma pirâmide principal, uma ou mais pirâmides secundárias, um templo situado junto ao vale do Nilo, na orla da área cultivável, e outro localizado junto à pirâmide e, ainda, uma calçada, também chamada de avenida, que unia os dois templos, separados entre si, às vezes, por distâncias superiores a um quilômetro. Nas proximidades de todo esse conjunto e ocupando grandes extensões, as mastabas dos membros da família reinante e dos cortesãos, simetricamente dispostas, formavam grandes cemitérios.

Já as pirâmides da XII dinastia (1991 a 1783 a.C.) e da XIII (c. 1783 a 1640 a.C.) foram construídas com uma técnica diferente. O motivo para a alteração do método foi a necessidade de economia, uma vez que o novo processo se adequava bem às estruturas relativamente modestas da época, erguidas com materiais inferiores.

Atualmente as pirâmides só nos transmitem um pálido reflexo do que foram, pois nos mostram apenas a sua estrutura externa formada por imensos blocos de pedra, talhados e sobrepostos em degraus. Originalmente, porém, tais blocos estavam cobertos por um revestimento uniforme de pedra calcária e, assim, cada face formava uma superfície plana e polida. Na pirâmide de Kéfren ainda hoje chama logo a atenção a permanência em seu topo de boa parte desse revestimento de pedras calcárias. De modo geral elas comportavam em seu interior uma câmara mortuária contendo um sarcófago de pedra dura.
 
Reconstrução computadorizada da Grande Pirâmide
 
 
 
As faces da pirâmide brilhavam com a luz do Sol e os egípcios lhe deram o nome de Akhet Khufu, Resplandecente é Kéops, ou Akhuit, A Resplandecente. Também chamavam-na de A Pirâmide que é o Lugar do Nascer e do Pôr do Sol. Ela foi construída com blocos de pedra calcárea, sendo que a camada externa das pirâmides foi revestida com uma camada protetora de blocos de pedra calcárea compacta, polidas, de cor branca bem semelhante ao mármore. A pedra calcárea é superior ao mármore em durabilidade e resistência aos elementos externos. Essas pedras de revestimento tão admirável,já não existem mais, pois foram roubadas a cerca de 600 anos atrás, após um terremoto que fez com que parte delas se desprendesse. Atualmente sua aparência é muito desgastada. O brilho dessas pedras era distinto e podia ser visto a centenas de quilômetros de distância, das montanhas de Israel era possível ver o brilho magnífico.
 
Uma grande quantidade de estudo e planejamento - afirma o egiptólogo James Putnam – deve ter sido necessária antes de que qualquer construção tomasse forma. Esboços encontrados de outros monumentos sugerem que eles devem ter feito plantas e existem modelos em pedra calcária de diversas pirâmides, os quais podem ter sido auxiliares do projeto arquitetônico.

Na realidade não existem registros escritos que expliquem como as pirâmides foram construídas e, portanto, tudo o que se diga a respeito não passa de especulação, ainda que baseada em indícios. Não foram encontrados registros pictóricos ou textuais que expliquem como as pirâmides foram planejadas e construídas. Embora os egípcios tenham sido muito cuidadosos registrando tudo o que fizeram – cada rei que tiveram, cada guerra que lutaram e cada estrutura que ergueram -, não há nada sobre a construção das pirâmides. No Egito os conhecimentos referentes à medicina, astronomia, astrologia, matemática, escrita, religião, filosofia, etc., não eram totalmente acessíveis a qualquer pessoa, mas eram resguardados, pelo menos parcialmente, pela tradição dos mistérios aos iniciados em suas práticas.

O estudo detalhado dos monumentos e o conhecimento crescente dos meios disponíveis na época, através de descobertas arqueológicas, tornaram possível determinar muitos detalhes construtivos. Várias questões, entretanto, continuam sem solução e, nesses casos, as respostas sugeridas baseiam-se apenas na crença de que através dos meios propostos poderiam ser atingidos os resultados que são observados hoje em dia.

Além da visão clássica do problema, várias tentativas de explicações alternativas têm surgido ao longo dos tempos.
 
 
 
AS TEORIAS ALTERNATIVAS
 
 
Para muitos, o conhecimento obtido a partir dos estudos arqueológicos das pirâmides sobreviventes não parece ser convincente e inúmeras teorias mais criativas foram sugeridas ao longo dos anos. As variações destas teorias são tantas que apenas alguns exemplos mais representativos serão abordados neste artigo.

Estas teorias, em geral, baseiam-se na idéia de que os verdadeiros construtores das pirâmides foram extraterrestres ou membros de civilizações perdidas (como Atlântida). As justificativas empregadas pelos defensores destas teorias, dos quais os mais famosos são Erich Von Daniken e Zecharia Sitchin, incluem uma suposta impossibilidade de se construir aquelas estruturas com a tecnologia egípcia da época e a suposta existência de relações misteriosas entre as dimensões da Grande Pirâmide e constantes físicas ou matemáticas desconhecidas pelos egípicios.

As teorias de Von Daniken, Sitchin e outros baseam-se principalmente em interpretações discutíveis de mitos antigos e não são levadas a sério pelos arqueólogos. Von Daniken acredita que a Terra tenha sido visitada regularmente por alienígenas, que seriam os deuses mencionados nos mitos e lendas de várias civilizações antigas. Sitchin defende uma teoria de que a raça humana (Homo sapiens) teria sido criada por engenharia genética através da combinação do DNA do Homo erectus com o DNA de uma raça alienígena habitante de um planeta ainda não descoberto no Sistema Solar. Esta raça teria criado o homem para trabalhar como escravo na mineração de ouro na Terra, eventualmente abandonando nosso planeta e deixando nossa raça para trás.

 

Outro nome de destaque neste campo é o de Edgar Cayce, que sustentava a teoria de que as pirâmides haviam sido construídas pelos habitantes de Atlântida. Segundo Cayce, os “atlanteanos” teriam migrado para o Egito por volta de 10.000 a.C., levando com eles as crônicas dos 40.000 anos de história de sua civilização. Estas crônicas estariam guardadas em uma pirâmide subterrânea ainda não descoberta, perto da Esfinge. As teorias de Cayce podem ser encontradas em um livro escrito por seu filho, “Mysteries of Atlantis Revisited“.
 
 
PORQUE FORAM CONSTRUIDAS
 
Para os egípcios, a pirâmide representava os raios do sol, brilhando em direção à terra. Todas as pirâmides do Egito foram construídas na margem oeste do rio Nilo, na direção do sol poente. Os egípcios acreditavam que, enterrando seu rei numa pirâmide, ele se elevaria e se juntaria ao sol, tomando o seu lugar de direito com os deuses.

Os escritores da escola esotérica afirmam que a razão principal para construção da Grande Pirâmide não foi servir de túmulo para um faraó, mas sim enunciar, de forma sólida e tridimensional, os conceitos descritos no Livro dos Mortos. Segundo eles, o monumento deveria servir de local onde os indivíduos responsáveis pela sobrevivência, de forma viva e pura, de tais conceitos, ou seja, os iniciados, pudessem ter o seu treinamento, suas provas e sua passagem à categoria de adeptos. Levando em conta que a escrita egípcia pode ser interpretada de várias maneiras, essa corrente de pensamento considera que as marcas encontradas na Câmara do Rei da Grande Pirâmide e interpretadas como sendo o nome de Khufu/Kéops podem ser lidas também como khu, isto é, o espírito ou a inteligência espiritual. As marcas na pedra não seriam o nome do rei, mas sim o nome da área dentro da pirâmide que representava o espírito.

Diversas sociedades que reivindicam a herança esotérica egípcia, entre as quais se incluem os maçons, os rosa-cruzes e os teosofistas, acreditam que o sistema de câmaras e corredores da Grande Pirâmide eram centros iniciáticos e locais destinados à realização de mistérios sagrados. A fundadora da escola teosófica, Madame Blavatsky, afirma que a forma externa daquela pirâmide é “o princípio criativo da natureza e ilustra também os princípios da geometria, matemática, astronomia e astrologia“. O interior, por sua vez, diz ela, é “um templo de iniciação no qual o homem ascende em direção aos deuses e os deuses descem em direção ao homem“. Embora tais teorias sejam de difícil comprovação, a verdade é que muitas sociedades esotéricas modernas realizam cerimônias de iniciação bastante similares a diversas práticas egípcias descritas no Livro dos Mortos. Muitas pessoas já passaram uma noite totalmente sós dentro da pirâmide de Kéops e saíram narrando terem vivido experiências estranhas. Conta a lenda que Napoleão passou uma noite na câmara do rei e de lá saiu branco e trêmulo e jamais revelou o que ocorrera.

Há quem diga que a Grande Pirâmide já era um monumento antigo na época de Kéops. A chamada Estela do Inventário contém uma inscrição obscura que afirma que a Grande Pirâmide já existia quando se passa a história ali documentada. Segundo o relato, Kéops construiu sua pirâmide junto da Grande Pirâmide, na época conhecida como “o templo da deusa Ísis”. Depois construiu outra pirâmide para a filha, igualmente junto ao templo. Se verdadeiro o relato, isso poderia indicar, inclusive, que os faraós Kéfren e Miquerinos não construíram as pirâmides a eles atribuídas, mas apenas assumiram as pirâmides de Kéops e de sua filha, respectivamente.

Baseados na contradição entre a quantidade de conhecimentos matemáticos, geométricos e astronômicos necessários para edificar as pirâmides e algumas opiniões de que os conhecimentos dos antigos egípcios nessas áreas era pequeno, e com base ainda nas dificuldades práticas para realização da tarefa, já foi dito que embora as pirâmides estejam no Egito, isso não significa que sejam do Egito. O que se quis dizer com isso é que teria havido na construção das pirâmides a influência de seres com conhecimentos superiores, os quais seriam os verdadeiros responsáveis pela obra. Dentro dessa linha de raciocínio argumenta-se que a Grande Pirâmide foi edificada por uma civilização ainda mais antiga, com o objetivo de documentar seus conhecimentos e apresentar profecias através das quais os homens do futuro pudessem progredir no rumo da busca da sabedoria universal. Um historiador árabe de nome Masoudi, que viveu por volta do ano 900 da nossa era, chegou mesmo a afirmar que viu velhos documentos que atestavam que a pirâmide dita de Kéops era um monumento cuidadosamente planejado e construído para representar as leis básicas da natureza, inclusive um código de sabedoria dos antigos.

Considerando-se como verdadeiro o fato de que no decorrer da IVa dinastia egípcia as pirâmides já eram consideradas antigas, conforme diz a Estela do Inventário, e aliando-se a isso as conclusões de Piazzi Smyth com relação aos alinhamentos das estrelas em relação à Grande Pirâmide, pode-se supor – e já houve quem o fizesse – que o alinhamento do corredor descendente com a estrela Alfa Draconis foi realizado não em 2170 a.C. e sim em 27.997 a.C., ou seja, exatamente um ciclo sideral distante de 2170 a.C…

Ainda dentro da linha de raciocínio de que as pirâmides foram construídas por seres mais evoluídos do que os egípcios, situa-se a corrente daqueles que consideram a mítica Atlântida a origem de tais seres, ou pelo menos dos conhecimentos necessários à execução da obra.

Em 1859, John Taylor, editor e matemático, publicou sua teoria de que a Grande Pirâmide foi construída por uma raça de invasores não egípcios, divinamente escolhida, agindo diretamente sob a direção dos Deuses.

Na realidade, muitos acreditam ainda hoje que os antigos egípcios seriam incapazes de construir as pirâmides sem a ajuda de uma intervenção externa. O mais notório dos representantes dessa corrente é o pesquisador Erich von Daeniken, autor do livro intitulado Eram os Deuses Astronautas? , que acrescentou um ângulo novo à questão. Ele sustenta que aquilo que os antigos egípcios chamavam de deuses eram, na realidade, astronautas extraterrestres que usaram sua tecnologia superior para construir as pirâmides, que seriam túmulos desses deuses, e sinais para que outras ondas de migrações identificassem o ponto de contato.

Teorias como essas se baseiam em evidências circunstanciais, desprezando todo o construto teórico assentado pelo acúmulo de dados historicamente reconhecidos.

É tão difícil provar que as pirâmides foram túmulos, quanto provar que não foram e que tinham outra finalidade. Questões importantes sobre as civilizações antigas ainda precisam ser respondidas. A maior certeza que se pode ter com relação as pirâmides é que são uma das obras mais assombrosas jamais realizadas pelo homem.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

VOCÊ ACREDITA EM O.V.N.I ??

Minha foto
alegre,alto astral e apaixonado por mistérios que desafiam a lógica da ciência.